Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


vestido_simplezinho-01.png
®Teresa Serrano

 Gosto quando uma futura noiva começa o briefing para o seu vestido com: "- Quero algo muito simplezinho" porque quase sempre é sinónimo de simples-o-tanas.
"Não quero nada muito extravagante, tudo muito clássico e com linhas direitas".
Digo eu: "-Então não estás a pensar levar véu?"
"-Ai sim! Uma noiva sem véu, não é uma noiva!" - aliás a avó até é sevilhana e tem uma mantilha de renda lindíssima de 8 metros que a noiva está a pensar usar como véu.
"-Então sendo assim o vestido vai ter de ser bastante básico?" - indago já com algumas reticências.
"-Claro que sim! Estava a pensar num tecido brocado, mas com um corte extremamente simples, assim com uma saia rodada - desde pequena que sonho com um vestido de princesa".
E pronto, está o arraial montado - penso eu.

Moral da estória:
A maior árvore de natal da Europa no Terreiro do Paço conseguia ser mais simplezinha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

matrafonas_mal_amanhas-01.jpg

 ®Teresa Serrano

O que leva homens de barba rija, chegada esta altura do ano, inventarem em usar as saias das suas esposas?
Passam um ano inteiro a exaltar-se com os árbitros que roubam o Glorioso, têm acesas discussões sobre o estado em que o Sócrates deixou o país, quase andam à porrada com o vizinho que lhe riscou o carro quando estacionava, mas, chega o dia de Carnaval e a primeira coisa que fazem quando saem da cama é ir diretos para a casa de banho, procurar a bolsa da maquilhagem da Elisabete e toca a esborratar os lábios com batom vermelho.
O que quatro meses antes era um revirar de olhos sempre que a Elisabete perguntava se a cor de blush lhe ficava bem, hoje é o pessegozinho ideal para espalhar na barba de dois dias.
Os sapatos de salto alto vermelhos que ofereceram para aquela noite escaldante hoje são as havaianas mais confortáveis que arranjaram para sair à rua. E não se queixam! Que isto do carnaval é para ser levado à séria!
E quando está a fechar a porta de casa com a sua pochete verde alface debaixo do braço, dá de caras com o vizinho da frente (o que ameaçou de porrada pelo risco ao estacionar) vestido de...Beatriz Costa. E juntas vão-se embebedar como dois valentes machos.


Moral da estória:
Mas porquê?

Autoria e outros dados (tags, etc)

PEDRO_E_INES-01.png

® Teresa Serrano

 

Porque estamos quase no dia em que se celebra a paixão lembrei-me de levantar esta lebre:
Nunca se questionaram como seriam os casais eternamente apaixonados da História se vivessem na atualidade?
Imaginem D.Pedro e D.Inês de Castro.


Inês manda um SMS ao Pedro a perguntar como vai ser logo à noite, já que tinham combinado ir jantar fora para celebrar o dia dos namorados e o Pedro ficou de marcar restaurante...

InêsLove:
Então baby já marcaste restaurante para logo à noite?
LePetit Prince:
Ainda não consegui...Isto hoje aqui na empresa tem estado complicado. O meu pai está on fire com um novo projeto, mal sentei o cu na cadeira. Não queres marcar tu?
Inês Love:
Ó love, é sempre a mesma coisa. Já não consigo ter imaginação para arranjar um sítio novo! Tudo eu... Mas a que horas estás despachado?
LePetit Prince:
Não sei mesmo, mas vou tentar sair o mais cedo que conseguir. Marca para as 20h30. Love you*

20h30 e nada...21h00...

InêsLove:
A sério Pedro? Já perdemos a reserva...
LePetit Prince:
O meu pai não facilitou. Estou na A5, está um trânsito descomunal. Não queres preparar uma coisa mais caseira e "acolhedora" para nós? :) hum?
InêsLove:
Falamos em casa.*

Quando o Pedro chega finalmente a casa (22h00) está a Inês a amarrar o burro de robe e pantufas a comer nuggets de galinha e a ver a série "Girls" de uma assentada só.
"Desculpa amor, eu prometo que te recompenso" - diz o Pedro enquanto tenta roubar um beijo à sua amada.
Inês: "- Podes ir ao congelador, tira os nuggets e põe no micro-ondas durante 7 minutos. É o jantar "caseiro" que tenho para ti hoje, amor da minha vida" - e mostra o sorriso mais amarelo possível.

Moral da Estória:
É óbvio que não houve sexo nessa noite.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O APARELHO-01.png
®Teresa Serrano

O aparelho nos dentes já foi um dos meus maiores desejos enquanto pré-adolescente.
Sempre que uma amiguinha aparecia com um, apesar do ar sofrido dela (pelo menos nos dois primeiros dias que mal conseguia falar), a única coisa que me lembro (e adorava!) eram os elásticos verde neon que me causavam uma inveja bruta.

Quando chegamos à adolescência propriamente dita, já não é assim tão cool ter aparelho. Sobretudo se já temos um namoradinho a quem queremos dar beijos. Mas o que é certo é que a conta até foi bastante dispendiosa e pelo menos dois anos foi o crédito que o dentista conseguiu vender à maioria dos pais preocupados com a higiene oral das suas crianças. A sacana da engenhoca até que resulta e aguentando mais alguns meses lá se fica com o sorriso Pepsodent e de Boca-de-Ferro até passamos à/ao mais popular da escola.
O que não entendo é o aparelho Fora Adolescência.
A quantidade de pessoas nas casa dos 30/40 anos que conheço que usam aparelho aumenta de ano para ano. E mais! COM OS DENTES TOTALMENTE DIREITOS! "Ah e tal... O dentista diz que tenho uns aqui atrás que puxam os outros para a frente e vão ficar todos tortos no futuro" - parece que a nossa dentição é o público de um concerto de hardcore em que começam a fazer moches uns aos outros!... a sério?

Percebo que tenham de se criar necessidades para a economia dentária continuar a existir, já que se aboliu a bela da placa, mas por favor...vamos lá deixar de vender aparelhos transparentes "...por que não se notam..." quando na realidade parece que se está constantemente com a boca cheia de arroz doce e deixar que trintonas solteiras tenham os seus dates descansadas sem terem de passar pelo vexame de sorrir depois de comer pasta de azeitona preta ao pé do trintão que até lhes enchia as medidas...

Moral da estória:
Façam antes um branqueamento à la Paulo Portas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

FALA_COM_ELA-01.jpg

 Fala com Ela ® Teresa Serrano

 

A ideia de estar à espera de um autocarro numa paragem é algo que me aflige muito. Isto porque já tive momentos muito traumáticos nos dez minutos (média) que se espera pelo transporte público. O meu grande receio é que a senhora de sessentas e muitos, que vem a falar sozinha, encontre contacto visual comigo e claro que o monólogo dela passa a um "diálogo" em que eu pelo menos tenho de sorrir ou dizer "sim"...
A conversa pode ter os mais variados temas, mas costuma começar com um olhar de relance para o ecrã que nos indica o tempo que falta e ela dizer "Pfff...Isto é sempre a mesma coisa, andam sempre atrasados", pode a seguir passar para o "...a culpa é do Governo!Isto na altura de Salazar é que era..." mas também pode passar para a lista de doenças"...É uma vergonha que façam esperar pessoas doentes como eu, que tenho muitas dores menina! Tenho uma dor que me apanha aqui a perna (e indica-me o sítio no corpo - e pronto, já estou a olhar, portanto a conversa já é para mim) que mal me deixa andar..." desta temática passa para os filhos que não moram ao pé dela (vá-se lá perceber porquê?!?) ao netinho muito querido e sobredotado (e já estou a levar com a fotografia de um puto em fato de treino a andar de baloiço) o seu querido falecido que lhe faz tanta falta, à vizinha que põe roupa a pingar quando a dela já está seca, ao senhor Alfredo que vai agora visitar ao hospital porque lhe deu uma trombose e não consegue andar nem falar e....Finalmente vislumbro o autocarro no início da rua! É agora que me despeço e deixo-a entrar primeiro - porque as velhinhas adoram entrar primeiro - e vou sossegada para o banco detrás. Entro no autocarro e está cheio que nem sardinha em lata (merda!) fico então com a senhora sentada no seu banco de primeira fila bem encaixadinha no meu sovaco.
(Acham que ela se calou? Of course not!).


Moral da Estória:
Se a distância que têm para percorrer é pouca até ao vosso destino, vão antes a pé. Dá saúde e faz crescer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

ILUSTRA_10-01 (1).png

® Teresa Serrano

 

 É bastante usual encontrar anúncios de emprego em sites direcionados para profissões criativas que começam com o seguinte tease... "Jovem! Estás a borbulhar de ideias frescas e o trabalho não é uma afronta para ti?"...segue-se o blá blá blá do "...Então encontraste o sítio ideal! Se até percebes de photoshop e quiseres fazer parte de uma equipa super cool, fazer altas noitadas de trabalho com direito a redbull e uma playstation para as "horas vagas" envia-nos o teu portfólio da forma mais maluca que consigas imaginar para o email estagiariomuitamaluco2015@gmail.com (até pode ser que consigámos picar alguma ideia daí)..." .
Ok...isto quando se está acabadinho de sair da faculdade, nunca se trabalhou na vida, quando se tem uma mentalidade de 18 anos quando na realidade já se tem 23 - mas isto da crise dá para infantilizar os jovens até aos 30 anos de forma a não terem perspectivas de futuro e quererem ficar em casa dos pais até aos 40 - até que não é mau de todo, certo?
Então agora vamos lá à remuneração...(espaço em branco no anúncio). Por vezes, em vez do espaço em branco surge um "pagamos em minis!" (ah Ah AH grandas malucos!). Mas como na realidade, isto até que não está fácil e a única reunião que o jovem tem marcada é com os amigos no café, lá responde ao anúncio e vai à entrevista. Ao chegar à agência, o jovem fica completamente deslumbrado (ele é skates, miúdas com ar de pin-ups, tattoos a dar-com-pau e uma máquina de Flippers!) Definitivamente o jovem quer ir trabalhar para ali. Então lá vem a dupla de criativos que o vai entrevistar:
Ele: 45, careca, baixinho e gordinho (o típico português) MAS com os óculos de massa verde da Cutler and Gross, barba rija, calças vermelhas e sapatos da Camper (antes de entrar já mandou 3 graçolas bem alto para o departamento criativo para mostrar quem é que manda ali);
Ela: 40, alta, magra, nariz comprido, cabelo vermelho, vestido da Desigual e uns All Star cor de laranja (edição limitada que comprou em Nova Iorque por altura da rodagem de um anúncio que fizeram por lá) constantemente a olhar para o seu iPhone e a fazer contas de cabeça de quando se vai conseguir safar da entrevista ao estagiário que não percebe nada do assunto e ficar livre para ir beber gin tónicos com as amigas divorciadas para o Cais do Sodré e com sorte até conseguir levar alguém para casa (porque neste último ano, sexo tem sido pouco e nota-se pela sua falta de paciência com o mundo em geral e constante troca de foto de perfil no Facebook).
Depois do quebra gelo com uma chalaça que o criativo senior manda para a mesa, lá começa a entrevista: 4 anos de IADE (boa), mestrado em história da comunicação (excelente!), road trip coast to coast, Tarantino forever...ESTÁS CONTRATADO! Começas 2ªfeira, ordenado (é boca) mas tens um computador só para ti e a oportunidade de trabalhar com criativos muita malucos.

Moral da Estória:
Sem pressas estagiário, ainda vais conseguir comprar uns All Star edição limitada um dia destes.

 

PS. Depois de ter escrito este texto deparei-me com esta crónica no Dinheiro Vivo com a qual concordo plenamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

ILUSTRA_09-01.png
®Teresa Serrano

Antes da existência de um Pingo Doce ou Minipreço a cada esquina, quem não se lembra de ir comprar 100 gramas de fiambre para pôr numas sandes de papo-seco na mercearia do bairro?
Eu lembro-me perfeitamente. E mais! Lembro-me sempre do cheiro bom a charcutaria variada e da manicure pouco cuidada da Tininha que me apontava o naco Nobre forno de lenha ou o Sicasal habitual para eu escolher. A espessura das fatias foi também uma arte que afinei com o tempo - "quanto mais finas, melhor!" - já dizia a Tininha. Quando nos tornávamos clientes do costume, tinhamos direitos a exigências pessoais que só se conseguiam com uma ida diária ao estabelecimento. E a Tininha, com as suas argolas rosa shock (acabadinhas de sair do pacote de batatas fritas da Matutano) lá nos fazia a conta na calculadora com rolo - das que fazia barulho ao registar - e entre a azeitona que ia petiscando para matar o bicho, dava-nos o troco em pastilhas da Super Gorila e ainda nos avisava - Olha que vou dizer à tua mãe que levaste o troco em pastilhas para não haver cá confusões para o meu lado!

A Tininha era a típica wannabe Madonna que fez o 12º ano à noite e que gostava de ir para as boates com o seu outfit de renda preta integral. Entretanto, aos 17, conheceu o Cajó (de quem teve uma filha - a Cátia), mas só contou aos pais quando a gravidez já estava perto dos sete meses de gestação (a moda de usar leggings com camisolas XXL ajudou bastante). Uma rebelde sem causa (digo eu!), que ainda se faz notar pela madeixa verde que lhe permanece na franja aos 45.

 

Moral da Estória:
Gelinho é a mais avançada técnica para não deixar as Tininhas na mão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

pais_cibernautas-01 (1).png
®Teresa Serrano

Quem nunca teve um telefonema daqueles que só dá vontade de dizer "-Não estou a ouvir bem vou ter de desligar" dos pais?
Daqueles do "-Óh filha, apareceu-me uma janela que diz que o Facebook vai vender os meus direitos (e rins) no mercado negro e não tenho botãozinho a dizer Cancelar nem de fechar a janela. O que faço? (Tudo isto enquanto tu estás na fila do Pingo Doce a despejar as tuas compras no tapete rolante - entre o alho francês e a caixa de pastilhas que entretanto caíu para o chão). E respondes:" -Não sei mãe, procura no google..." Resposta do outro lado: "Mas eu não consigo sair daqui, agora apareceu-me um diabinho a dizer que fui infetada com um virús." Continuas a não conseguir ajudar, mas mesmo assim o relato continua durante o teu caminho todo para casa (entre os sacos de compras e telemóvel encaixado entre o ombro e a orelha). Até que depois de muitos "- não faço a mínima ideia como ajudar" te diz: "-Vou pedir ao vizinho do primeiro andar para vir cá ver, já que tu NUNCA me consegues ajudar!" - o geek que joga playstation desde os cinco meses de idade e cheira a moderboard de computador. "- Ótima ideia!" e consegues finalmente chegar a casa, pousar os sacos e sentares-te cinco minutos no sofá até o telefone de casa tocar...atendes: "-Filha, o vizinho disse-me que me consegues ajudar se instalar o Skype. Como é que faço isso?".


Moral da estória:
Até o Steve Jobs estaria incontactável perante telefonemas destes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

entendido em musica indie-72.jpg

® Teresa Serrano

 

Não há nada mais entediante do que estar a falar com um Entendido em Música Indie, tanto mais quando - de bandas indie - não percebes um chavelho. A conversa (ou monólogo) entra no auge quando ele (o Entendido) se apercebe que estás mais perdido que o Bambi à procura da mãe e é aí que ele começa a sacar dos nomes esquisitos.

- Mas tu não conheces os Risens&Frozens??? Como é que é possível?!? - diz o Entendido - Nem os Frolic&Craizens? E Dude Frikens??? Nunca viste Drilens ao vivo? Nem Strepsils no Coliseu?

Tu respondes:

- Não. O meu ídolo da pré-adolescência era o Jon Bon Jovi e até gosto de bandas mainstream para falar verdade...

Aqui o Indie Entendido começa a ficar branco e calado, enquanto enrola um cigarro e segura a mortalha entre os lábios e te olha nos olhos. Quando finalmente acende o cigarro, inala um gigante gole de fumo e diz dramaticamente:

-Mainstream não faz parte do meu vocabulário, o Jon Bon Jovi devia ter sido comido pelo Pacman porque é uma blasfémia ao verdadeiro sentido da música, portanto, acho que não temos mais nada a falar. Vou-me embora porque tenho de ir ali ao alfarrabista comprar a primeira edição do Blitz (versão jornal, está claro!) e voltamos a falar quando souberes quem era o Ian Curtis, ok?

 

Moral da estória:
Nunca mencionar que a Baby Spice era a tua preferida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

galinha_da_vizinha-01.jpg

®Teresa Serrano

 

Entras numa loja de roupa porque tens de comprar o vestido para o casamento da tua prima afastada e vais direta para o canto mais vazio para poderes estar à vontade a ver as peças sem estares com a Jennifer Lopez a gritar-te aos ouvidos. No entanto, em cinco segundos deixas de estar sozinha nesse canto e estás rodeada de - pelo menos - cinco amiguinhas que (curiosamente) também estão a tentar abarbatar-se ao vestido que tens na mão.

Tens duas hipóteses:

Ou entras no confronto direto e agarras-te ao vestido com unhas e dentes e corres para o provador (o estabelecimento agradece porque tem de reforçar o stock);

Ou fazes-te desinteressada e vais para o outro lado da loja, sempre com as amiguinhas avistadas pelo canto do olho e quando elas dispersarem, voltas ao local do crime e podes finalmente apreciá-lo (mas sem mostrar muito interesse, senão haverá sempre uma delas que volta à carga).

E assim se fazem tendências no universo feminino...

 

Moral da estória:
A galinha da vizinha parece sempre uma Chanel.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


por TERESA SERRANO - este é um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".

Tradução/Translate


Pesquisar

  Pesquisar no Blog