Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


O universo está em constante mudança, disso já todos nós sabemos. Desde as minhas aulas de ciências naturais, há vinte anos atrás, há menos um planeta no sistema solar e a Antártida insiste em derreter. 

Sou do tempo em que o Michael Jackson e a Madre Teresa de Calcutá eram vivos. Assisti em direto na TV ao embate do segundo avião nas torres gémeas. Comprei pastilhas por 5 escudos e maços de tabaco por 3,50 euros. Assisti à morte da disquete e ao nascimento dos tablets e smartphones.
São estas as frases que terei de dizer ao meu filho daqui a alguns anos, quando ele me começar a fazer perguntas sobre o Mundo.
Por essa razão, desde sexta-feira passada tento elaborar um discurso (coerente) sobre a eleição de Donald (que não é o pato) para presidente de umas das maiores potências mundiais, mas está a ser uma tarefa muito difícil. 
Como irei explicar a uma criança a importância da queda do muro de Berlim quando o Donald (que não é o pato) vai erguer um novo muro? Como conseguirei eu explicar, cronologicamente, a existência de um Obama antes de Donald (que não é o pato), eleito pelo mesmo povo? Como conseguirei explicar que, apesar da sua imensa fortuna, o Donald (que não é o pato) decidiu utilizar uma espiga de milho como capachinho? Como irei explicar a um ser humano ainda em "construção" que a rudez e o sensacionalismo não são virtudes, mesmo que ainda assim, consiga alcançar objetivos como ganhar as eleições? Como explicarei ao meu filho homem que as mulheres não são objetos, apesar da bela jarra azul (completamente ornamental) que está ao lado do Donald (que não é o pato) na sua tomada de posse?

2017-01-20-GettyImages-632185186.jpg

Como irei explicar ao meu filho que há guerras a acontecer no mundo porque os vários Donalds (e nenhum deles o da Disney) gerem países da mesma forma que jogam à batalha naval nos seus smartphones enquanto estão sentados nas suas sanitas nos gloriosos quinze minutos matinais?

Que as armas são para este Donald (que não é o pato) um brinquedo que se pode vender em supermercados, mas que a verdadeira bruxa má é Meryl Streep por ter feito um discurso contra o Donald (que não é o pato).

Tudo isto me parece extremamente complexo de explicar a uma criança, quando na realidade parece um conto infantilóide em que há um Donald que fica sozinho em casa e pode fazer tudo o que lhe apetece sem a presença de adultos. Quem já viu este filme?

O problema é que iremos ter todos de assistir à saga inteira de Sozinho em Casa, e "rezar" para que o Donald (que não é o pato) não se lembre de provocar um curto circuito que deixe tudo em cinzas.

E quando o meu filho me perguntar como acaba este filme? Terei de lhe responder que infelizmente não sei mas que este Donald não é o pato vestido de marinheiro.

  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estou a fazer este texto agora. Apenas está a levar o tempo de ser escrito e pressionar o botão "Publicar".
Nada disto foi estudado, anotado, rasurado... está em bruto, como todos os pensamentos flashantes que visitam o meu cérebro a cada segundo.
Por vezes penso, porque escrevo este blog?
Para quê estar a perder tempo a escrever seja aquilo que for quando na verdade todos temos uma opinião diferente e atrás do nosso teclado e tão fácil e confortável poder escrever comentários ultrajantes quando a opinião não coincide com a nossa?
Para quê perder tempo a pensar no que escrever e fazê-lo de forma civilizada e coerente quando na verdade, para um comentador de bancada bastam 20 segundos para me chamar mentecapta?
Para quê pensar em conteúdos atuais quando na verdade o que interessa mesmo é o erro ortográfico (que não fica bem, é verdade!) mas que pode ser corrigido/editado no minuto seguinte?
Para quê passar testemunhos reais para que se entenda o que se passa no nosso País/cidade/rua como fiz neste post, quando na realidade em 30 segundos se lê um texto na diagonal sem se perceber sequer a conclusão e o comentário é: Se estás mal, muda-te!?
Para quê escrever crónicas para nos rirmos de nós próprios, aliás foi o mote deste blog - quando na verdade os portugueses não têm sentido de humor? 
Agora pergunto: Mas porquê? E o porquê que não seja entendido como porque é que comentam. O porquê é antes porquê essa agressividade atrás do teclado?
As opiniões são para ser dadas (contra, a favor, tanto faz!) mas porquê deixar de se ter modos só porque não estamos cara-a-cara? Que raiva é essa que só é incontrolável entre a ponta dos dedos e as teclas mas que quando é para ser manifestada publicamente, seja em eleições ou outros atos públicos deixa de existir para dar lugar à inércia?
Hoje o texto é este. Hoje é o possível. No entanto, não gosto de desistir e muito menos que me obriguem a desistir. Por isso amanhã continuarei a escrever e depois de amanhã e depois.
A quem me lê, concorde ou não com o que escrevo, apenas desejo que sejam felizes. Porque a felicidade traz paz interior e controla as pontas dos dedos de espalhar raiva cibernética.
T**

Autoria e outros dados (tags, etc)

ZE_BIBI.jpg

Sou (ou melhor, era) fã de reality shows desde o Big Brother 1. Foi há 16 anos atrás e ainda me lembro de quase todos os nomes dos concorrentes. 

O que me deixou aficionada a este tipo de programa foi o lado sociológico da coisa. Ver como diferentes tipos de pessoas lidavam umas com as outras num ambiente fechado e com todas as privações que sofriam. Ver o comportamento do ser humano "em cativeiro". E o que é certo, é que nestes primeiros programas haviam realmente privações se não superassem as provas. Faltava tabaco, comida, água quente e informação do exterior (eu lembro-me de estarem a fumar relva porque não superaram uma prova e por isso não tiveram direito a cigarros e lembro-me também de ter acontecido o 11 de Setembro e os concorrentes dessa edição só souberam quando iam sendo eliminados do jogo). Também me lembro que o primeiro casal a ter relações sexuais na casa teve direito a notícia do jornal nacional no dia seguinte (e que eu assisti na TV do bar do liceu - bastante pedagógico, diga-se de passagem!) - mas até isso era interessante porque os concorrentes não tinham noção do êxito que o programa estava a ter e fizeram-no porque esqueceram as câmaras e deixaram-se levar pelos sentimentos/necessidades.
Bastante diferente dos reality shows de hoje. Sinceramente, deixei de conseguir ver mais de dois minutos de emissão porque só se ouvem gritos e discussões, óculos escuros e mamas de silicone. Os concorrentes repetem-se de edição para edição (quanto mais arruaceiros forem, melhor), entram já com clube de fãs e parece que foram todos pescados na mesma discoteca. Elas vão todas ao mesmo cabeleireiro e cirurgião, eles parecem andar todos no mesmo ginásio. Não sentem falta de nada do exterior porque na casa também há espelhos (para onde todos estão sempre a olhar - eles a fazer pose de homem rijos, elas a arranjar a tanga).
Entram no programa à procura dos seus quinze minutos de fama e de seis meses a fazer presenças em discotecas. Não há qualquer resquício de interesse por alguma coisa mais que não seja o corpo, sexo e nomeações. A única escola que têm é mesmo a escola da vida onde aprenderam a ser espertos (e até conseguem mostrá-lo ao nomear a namorada porque vão para ali para jogar e assim mostram a sua "estratégia"), mas saberem quem é o primeiro ministro de Portugal já é uma tarefa muito, muuuuuiiito complicada. 
Quando são interrogados com perguntas de cultura geral, 90% não sabe responder e no fim ainda se riem disso mesmo. No entanto, conseguem preencher uma folha de excel com os nomes dos ex-casos que já tiveram...
Quanto a isto, não tenho nada contra. Não gosto do que vejo, mudo de canal. No entanto, faz-me alguma confusão que num programa que está a ter emissão em direto num domingo à noite/segunda-feira de madrugada esteja uma criança de um ano a chorar entre holofotes e câmaras quando na realidade devia estar na cama a ser aconchegado pelos pais (que estão mais interessados em lavar roupa suja para Portugal inteiro do que ver os primeiros passos do filho). Enfim, portugalidades...


Autoria e outros dados (tags, etc)


Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


Tradução/Translate


I Saw Jesus in a Toast

Blogs

Tumblr


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Bloglovin