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Sou (ou melhor, era) fã de reality shows desde o Big Brother 1. Foi há 16 anos atrás e ainda me lembro de quase todos os nomes dos concorrentes. 

O que me deixou aficionada a este tipo de programa foi o lado sociológico da coisa. Ver como diferentes tipos de pessoas lidavam umas com as outras num ambiente fechado e com todas as privações que sofriam. Ver o comportamento do ser humano "em cativeiro". E o que é certo, é que nestes primeiros programas haviam realmente privações se não superassem as provas. Faltava tabaco, comida, água quente e informação do exterior (eu lembro-me de estarem a fumar relva porque não superaram uma prova e por isso não tiveram direito a cigarros e lembro-me também de ter acontecido o 11 de Setembro e os concorrentes dessa edição só souberam quando iam sendo eliminados do jogo). Também me lembro que o primeiro casal a ter relações sexuais na casa teve direito a notícia do jornal nacional no dia seguinte (e que eu assisti na TV do bar do liceu - bastante pedagógico, diga-se de passagem!) - mas até isso era interessante porque os concorrentes não tinham noção do êxito que o programa estava a ter e fizeram-no porque esqueceram as câmaras e deixaram-se levar pelos sentimentos/necessidades.
Bastante diferente dos reality shows de hoje. Sinceramente, deixei de conseguir ver mais de dois minutos de emissão porque só se ouvem gritos e discussões, óculos escuros e mamas de silicone. Os concorrentes repetem-se de edição para edição (quanto mais arruaceiros forem, melhor), entram já com clube de fãs e parece que foram todos pescados na mesma discoteca. Elas vão todas ao mesmo cabeleireiro e cirurgião, eles parecem andar todos no mesmo ginásio. Não sentem falta de nada do exterior porque na casa também há espelhos (para onde todos estão sempre a olhar - eles a fazer pose de homem rijos, elas a arranjar a tanga).
Entram no programa à procura dos seus quinze minutos de fama e de seis meses a fazer presenças em discotecas. Não há qualquer resquício de interesse por alguma coisa mais que não seja o corpo, sexo e nomeações. A única escola que têm é mesmo a escola da vida onde aprenderam a ser espertos (e até conseguem mostrá-lo ao nomear a namorada porque vão para ali para jogar e assim mostram a sua "estratégia"), mas saberem quem é o primeiro ministro de Portugal já é uma tarefa muito, muuuuuiiito complicada. 
Quando são interrogados com perguntas de cultura geral, 90% não sabe responder e no fim ainda se riem disso mesmo. No entanto, conseguem preencher uma folha de excel com os nomes dos ex-casos que já tiveram...
Quanto a isto, não tenho nada contra. Não gosto do que vejo, mudo de canal. No entanto, faz-me alguma confusão que num programa que está a ter emissão em direto num domingo à noite/segunda-feira de madrugada esteja uma criança de um ano a chorar entre holofotes e câmaras quando na realidade devia estar na cama a ser aconchegado pelos pais (que estão mais interessados em lavar roupa suja para Portugal inteiro do que ver os primeiros passos do filho). Enfim, portugalidades...


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Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


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I Saw Jesus in a Toast

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