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Por muito estranho que possa parecer para quem está grávida pela primeira vez, a partir do momento em que temos um filho nos braços pela primeira vez, tudo muda. 
O que até então é apenas um conceito, passa a realidade e o instinto animal vem ao de cima num sentimento bruto mas tão puro como o primeiro ar que entra nos pulmões daquele pequeno ser - ele fica no meu colo e deixa de chorar porque reconhece o lar dos últimos nove meses e eu sinto que um pedaço de mim está agora ali e que tenho de o proteger com todas as minhas forças (apesar de não trazer livro de instruções e ao primeiro choro, olhar para toda a gente que me rodeia para me ajudarem porque não faço ideia onde fica o botão de mute). Entre todos estes sentimentos que se apoderam de nós nos primeiros 60 minutos (que parecem 15!) inicia-se um outro processo - o de o alimentar. 
Após todas as leituras que tinha feito até à data do parto, era óbvio que eu queria dar leite materno ao meu filho (quanto mais tempo, melhor!) mas as coisas não são assim tão lineares e por isso escrevo este post. 
O Dinis nasceu sem saber mamar. Por isso mesmo, esteve na unidade neonatal - afastado de mim - e apesar de eu ir lá de três em três horas dar peito, ele era alimentado por uma sonda com leite artificial.
Nesse momento mil macaquinhos assombraram a minha cabeça: Nunca vou conseguir alimentar o meu filho. O meu leite nunca vai subir. Sou péssima! E muitas lágrimas por aí fora... Ora, o que é certo, é que consegui dar leite materno ao Dinis apenas um mês.
Nunca foi em abundância e posso dizer que durante trinta dias, 18 horas eram relacionadas com leite: ou a amamentar (a tentar!) ou a retirar com a bomba. Posso dizer que fiz os possíveis e os impossíveis para que a coisa corresse bem, mas pelos vistos, não era por ali. 

Ele não se entendia com aquilo, ficava irritado e desatava a chorar fervorosamente. Eu entendia ainda menos e quando ele começava a chorar, ficava nervosa. Conclusão: Comecei a tirar o meu leite e dar com o biberão.
Esta foi então a segunda fase: Tirar leite durante 30 minutos, dar leite durante 30 minutos, pôr a arrotar mais 30 minutos e ficar com hora e meia até ao próximo biberão (mentalizem-se futuras mamãs!).
Tudo corria bem com este método até que comecei a ficar sem leite. 
Era cada vez menos. Eu ficava nervosa com isso porque queria alimentá-lo ao máximo e em exclusivo com o meu leite, mas era inevitável ter de começar a introduzir o leite artificial como suplemento. E assim, ao fim de um mês, começou a beber exclusivamente leite artificial porque o meu secou. Pura e simplesmente.
Por isso mães que não têm/não conseguem amamentar os vossos filhos, não se sintam mal com isso porque há inúmeros casos à vossa volta. 
Deixem de ler artigos sobre os benefícios do leite materno para a criança porque só vos vai deprimir (o que não é nada aconselhável nesta fase, porque a depressão pós-parto é outro tema que também tem de ser levado muito a sério neste período e são momentos como este que podem ajudá-la a despoletar).
Leite materno é bom quando há. Quando deixa de haver, vamos agradecer por estarmos num país de primeiro mundo com uma farmácia ou supermercado ao virar da esquina onde há sempre uma lata de leite artificial com a qual podemos alimentar o nosso filhote (ou não fosse o verbo desenrascar tipicamente português).

 

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Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


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I Saw Jesus in a Toast

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