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SENHORA_DO_PANAMÁ-01.pngA senhora do panamá®Teresa Serrano

O que eu gosto de chegar à praia, pousar o arsenal na areia e dar uma olhadela de 360º graus. É certo e sabido que irei contar pelo menos 4 ou 5 Senhoras do Panamá - e não me estou a referir a panamenhas (senhoras oriundas da República do Panamá) mas sim a senhoras com um chapéu no alto do cocuruto. Chapéu esse de tecido bem mole e com a aba sempre para baixo que vinha dobrado no saco das raquetes com quinhentas coisas em cima, o que o ajuda a ficar ainda mais deformado.
E porque o usam sempre no cimo da cabeça? Mas será que não há panamás do tamanho da cabeça delas? (É que nunca encaixam!)
Aí existem duas hipóteses:
Primeira - Foi uma oferta de uma promoção qualquer que havia na bomba de gasolina, daí o tamanho S e único;
Segunda - O cabelo arranjado e cheio de laca que não permite que o panamá entre nem que a vaca tussa.
Posso-me atrever a dizer que a segunda é a opção mais viável ou não fosse vê-las depois a banhar-se sempre com a cabeça bem fora da água a nadar à caniche para não estragar a permanente. O mergulho não é considerado (jamais!) e por isso o panamá vai também à água sem qualquer problema porque nunca o vão molhar, sendo assim um must-have para qualquer coleção de praia acima dos 60 anos.

Moral da estória:
Vogue e Marie Claire não ponham style-hunters nas praias da Costa não e continuarão a perder a tendência desde 1960!

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Lucy-01.png

Lucy®Teresa Serrano

A Lúcia é aquela mulher de 35 anos que continua a usar roupas de elastano e cores fortes um tamanho abaixo do que deveria usar. E porquê? Porque houve alturas na sua vida - nos belos tempos áureos de liceu - que o seu corpo era tão curvilíneo que este tipo de vestimenta ajudava a realçar o que a puberdade lhe fez crescer desmesuradamente e desafiando centros gravíticos de forma nunca antes vistos.
A Lúcia não era muito boa de notas mas nos corredores da escola tinha sempre a nota máxima. Não fazia atividades extra curriculares mas não falhava um concurso de miss-qualquer-coisa que houvesse lá no bairro, não falava com as miúdas franzinas de ciências mas era a melhor amiga da turma de desporto - aliás ainda hoje é casada com o Carlão que era o treinador da equipa de voleibol feminino, na qual ela se inscreveu por já andar de olho nele e porque o equipamento eram os minishorts que salientavam em muito o seu traseiro adolescente (pormenor que também não passou despercebido ao Carlão, claro está).
A Lúcia e o Carlão continuam a morar no mesmo bairro e a ter os mesmos hábitos de há vinte anos atrás: ir tomar a bica depois do jantar ao pub "Muita Louco" com o China e o Cenoura, compram dois maços de Marlboro (light para ela, normal para ele) e fazem compras ao domingo no hipermercado/shopping mais próximo. Fazem isto porque se sentem confortáveis nesta eterna juventude. E que mal há nisso? Nenhum! Apenas as banhinhas da Lúcia a saírem de lado nas suas leggings roxas.

Moral da estória:
Vá lá Lucy, compra o tamanho L.

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O Lentinho da Esquerda ® Teresa Serrano

Se há coisa que me põe os nervos em franja são os lentinhos da esquerda.
Isto porque adormeceste os 15 minutos que te permitem fazer tudo no tempo certo e antes de saíres de casa já pisaste o gato três vezes, deixaste cair o telemóvel duas não encontras o par da meia e não há café. Sais de casa esbaforida(o) com sandes na boca semi comida enquanto procuras a chave do carro no malão sem fundo e finalmente consegues sair da tua rua - qual Fittipaldi qual quê! Ele é fintas pela direita, passar amarelos tintos até que na reta onde realmente podes finalmente ganhar alguns minutos do teu atraso matinal está... o lentinho da esquerda.
Ora o lentinho da esquerda não tem pressa. O lentinho da esquerda levanta-se cedo para ir pescar. Tudo isto não me importava nada se não fosse o lentinho da ESQUERDA. O que não entendo é a fixação por ir na faixa das ultrapassagens quando na realidade ele não vai ultrapassar ninguém! Só vai ali porque mais facilmente vê o mar na marginal! E ai de alguém que lhe apite ou faça um sinalzinho que seja de luzes!! Que aí é vê-lo a gesticular a onda do "passa por cima!" e quando o apressadinho da direita o está a ultrapassar em contra-ordenação lá vem a lista de insultos do raio-que-ta-parta para cima.
Com muita muuuuita sorte, para além do lentinho da esquerda ainda podes apanhar na direita dois ciclistas lado a lado em amena cavaqueira e aí bem podes contar com meia hora de atraso para picares o ponto.

Moral da estória:
Levantasses-te mais cedo.

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Pseudo-decoradoras ® Teresa Serrano


Quem trabalha em áreas criativas já se cruzou com muitos destes pseudo-decoradores.

Intitulam-se pessoas de "bom gosto", com um "ótimo sentido estético"  - até já houve uma vez que remodelaram a sala de jantar da avó e correu muita bem."Ficou cheio de pinta!".
Eu até não me importo de ouvir estas conversas se estiver na pausa do café, o problema é quando estou a ouvi-las ao meu lado enquanto olham para o ecrã do meu computador onde está o logótipo em que ando a trabalhar há dois dias e se lembram que não gostam de cor de laranja "experimenta lá com azul" quando na realidade a empresa para a qual estou a fazer o trabalho se chama "Laranja Mecânica"...
Meus/minhas senhores(ras), também eu tenho sentido estético mas mais do que isso, tenho uma graduação superior em comunicação visual. O sentido de Belo aprendi-o com Platão e não na última cor tendência da Risqué, portanto, não me lixem!
Vão lá decorar o quarto das crianças com o verde maçã e o azul himalaias, despender a vossa hora de almoço na Zara Home a ver atoalhados, mas deixem-me a mim entregue à bonecada.
É claro que um(a) pseudo-decorador(a) também tem um sobrinho com jeito para o desenho e até lhe fez o logótipo para as jóias de pechisbeque que faz nos tempos livres que está "Fan-tás-ti-co!" - palavras do(a) próprio(a) pseudo-decorador(a).
A casa de um(a) pseudo-decorador(a) tem as divisões decoradas por temas: a sala de estar tem o tema náutico, com os sofás às riscas azul marino e branco (tintim por tintim como aprendeu no Querido Mudei a Casa), no quarto o tema é Penthouse Ritz Four Seasons (o único problema é a vista da varanda dar para a praceta de betão e não para o central park) e a casa de banho é...Gato Preto, porque é pequena e não dá para ter tema no WC. Acabamos a visita à casa do(a) pseudo-decorador(a) no hall de entrada onde há de um cartaz/quadro emoldurado em talha dourada de um "Keep Calm & Carry On".

Moral da estória:
Dediquem-se antes à culinária e inscrevam-se no Masterchef para ver o que realmente valem.

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Snob Decadente ® Teresa Serrano


Os snobs decadentes são personagens bastante interessantes e cada vez mais presentes no nosso dia a dia porque o passe social passou a ser um must-have.

Têm o ilustre peso ancestral da riqueza falida da família mas as regalias...na pas de vê-las. 
O nome próprio de um snob decadente nunca tem menos de seis apelidos e pelo menos quatro deles com consoantes repetidas -  Vasconcellos, Mello - sempre separados com preposições tais como de, da ou e. Um ou dois nomes estrangeiros lá pelo meio também ajudam, dá pátina à coisa. A descendência aristocrata é sempre uma mais-valia.
Habitam sobretudo a linha de cascais, mas cada vez menos perto da vila (que isto não está para brincadeiras e São Domingos de Rana também é linha e o T3 é menos inflacionado).
O Golf deixou de ser o desporto para passar a ser o carro utilitário da família.
As Sô Donas Dondocas também já não usufruem do cartão visa dourado para as compritas no Cascaishopping porque a empresa de imóveis de luxo do marido faliu e passaram a ter o cartão de refeição da maçãzinha que usam agora no Mcdonald's de Oeiras para comprar happy meals para as quatro crianças loiras lindas, fruto deste segundo casamento tão desejado pela Sô Dona Dondoca (ex-secretária do Sô Doutor, mas estes pormenores ninguém precisa de saber).
As salvas de prata são ainda o que lhes vão valendo para os jantares dados em casa, porque sempre embelezam o prato principal - salsichas Nobre com raclete de queijo Querú.

Moral da estória:
Já nem os canapés dos cocktails perfazem uma refeição completa como antigamente.

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a chatinha da fila-01.png

®Teresa Serrano

O que eu gosto de estar numa fila única à espera de ser atendida num daqueles quiosques de café que existem nas estações de metro, onde passam 5000 pessoas por minuto e as empregadas parecem ter dez braços para conseguir atender toda gente e, eis senão quando, lá está a chatinha da fila...
A chatinha da fila está-se completamente a lixar para o número de pessoas que tem atrás dela. Está-se nas tintas que aquele seja um quiosque onde se apanha qualquer coisa para comer e se segue caminho e que a maioria dos que ali estão, já estão atrasados para cumprir um horário laboral e daí não se sentarem para poder comer calmamente um belo pequeno almoço ou lanche ou lá o que for.
E adivinhem lá o que pede a chatinha para o seu pequeno almoço?
"_Quero um sumo de laranja natural e uma torrada de pão saloio" - diz a chatinha.
Mas é óbvio que não ficamos só por aqui. Logo a seguir a chatinha pergunta:
"_Quantas laranjas leva um copo de sumo?"
"_Duas" - diz a empregada de raspão numa das suas centenas de idas à pequena copa.
"_E quanto custa o copo de sumo?" - chatinha.
"_2,10€" - empregada com 20 chávenas de café na mão.
A chatinha começa então o discurso do como é que é possível pagar um euro por cada laranja, está tudo pela hora da morte e concluí com um "Não meta água no meu sumo!"
Com isto já passaram uns largos minutos, a empregada já está na copa a espremer as laranjas e passa-se então à problemática da torrada em pão saloio.
"_O pão é de hoje?" - chatinha - "_É pão de Mafra?"
"_É" - empregada já sem grande paciência tal como todos os restantes na fila.
"_É barrada com manteiga ou margarina?" - chatinha.
"_Manteiga..."
E claro que a saga vai continuar porque depois disto ela ainda vai pedir o café sem princípio em chávena fria.

Moral da estória:
Já tive quebras de tensão por menos.

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®Teresa Serrano

 

A meia idade nos homens é uma coisa complicada. Não só é complicada como também é notória. E por muito que pensem que estou a falar de aparência física, a falta de cabelo ou a barriguinha saliente, enganam-se. Falo antes de três opções de "presentes" que quase todos querem/têm por volta dos 45 anos. E passo a enumerar:
1) Trocar a esposa por uma namorada com metade da sua idade;
2) Comprar o carro desportivo/descapotável;
3) A mota.
O mais engraçado é que em qualquer uma das opções encontro sempre o mesmo denominador comum: a potência (e vamos lá tentar deixar a ironia de parte, se possível!).
Ora, como mulher casada que sou - e espero ser ainda por volta da meia-idade - vou torcer para que a escolha do meu maridão seja a bela da mota.
(Parece que já me estou a ver de look cabedal total à pendura numa Harley a caminho da concentração de Faro). E aqui é deixá-lo conviver com os outros espécimes de casaco de cabedal e da promoção das ampolas capilares. Cerveja numa mão, fazer rateres com a outra e uivar à stripper. Mas no final de tudo, voltar ao seu confortável lar e calçar a bela da pantufa da serra da estrela.


Moral da estória:
Toda esta estória só pode ter como banda sonora Dire Straits, preferencialmente a música Sultans of Swing.

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vestido_simplezinho-01.png
®Teresa Serrano

 Gosto quando uma futura noiva começa o briefing para o seu vestido com: "- Quero algo muito simplezinho" porque quase sempre é sinónimo de simples-o-tanas.
"Não quero nada muito extravagante, tudo muito clássico e com linhas direitas".
Digo eu: "-Então não estás a pensar levar véu?"
"-Ai sim! Uma noiva sem véu, não é uma noiva!" - aliás a avó até é sevilhana e tem uma mantilha de renda lindíssima de 8 metros que a noiva está a pensar usar como véu.
"-Então sendo assim o vestido vai ter de ser bastante básico?" - indago já com algumas reticências.
"-Claro que sim! Estava a pensar num tecido brocado, mas com um corte extremamente simples, assim com uma saia rodada - desde pequena que sonho com um vestido de princesa".
E pronto, está o arraial montado - penso eu.

Moral da estória:
A maior árvore de natal da Europa no Terreiro do Paço conseguia ser mais simplezinha.

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 ®Teresa Serrano

O que leva homens de barba rija, chegada esta altura do ano, inventarem em usar as saias das suas esposas?
Passam um ano inteiro a exaltar-se com os árbitros que roubam o Glorioso, têm acesas discussões sobre o estado em que o Sócrates deixou o país, quase andam à porrada com o vizinho que lhe riscou o carro quando estacionava, mas, chega o dia de Carnaval e a primeira coisa que fazem quando saem da cama é ir diretos para a casa de banho, procurar a bolsa da maquilhagem da Elisabete e toca a esborratar os lábios com batom vermelho.
O que quatro meses antes era um revirar de olhos sempre que a Elisabete perguntava se a cor de blush lhe ficava bem, hoje é o pessegozinho ideal para espalhar na barba de dois dias.
Os sapatos de salto alto vermelhos que ofereceram para aquela noite escaldante hoje são as havaianas mais confortáveis que arranjaram para sair à rua. E não se queixam! Que isto do carnaval é para ser levado à séria!
E quando está a fechar a porta de casa com a sua pochete verde alface debaixo do braço, dá de caras com o vizinho da frente (o que ameaçou de porrada pelo risco ao estacionar) vestido de...Beatriz Costa. E juntas vão-se embebedar como dois valentes machos.


Moral da estória:
Mas porquê?

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O APARELHO-01.png
®Teresa Serrano

O aparelho nos dentes já foi um dos meus maiores desejos enquanto pré-adolescente.
Sempre que uma amiguinha aparecia com um, apesar do ar sofrido dela (pelo menos nos dois primeiros dias que mal conseguia falar), a única coisa que me lembro (e adorava!) eram os elásticos verde neon que me causavam uma inveja bruta.

Quando chegamos à adolescência propriamente dita, já não é assim tão cool ter aparelho. Sobretudo se já temos um namoradinho a quem queremos dar beijos. Mas o que é certo é que a conta até foi bastante dispendiosa e pelo menos dois anos foi o crédito que o dentista conseguiu vender à maioria dos pais preocupados com a higiene oral das suas crianças. A sacana da engenhoca até que resulta e aguentando mais alguns meses lá se fica com o sorriso Pepsodent e de Boca-de-Ferro até passamos à/ao mais popular da escola.
O que não entendo é o aparelho Fora Adolescência.
A quantidade de pessoas nas casa dos 30/40 anos que conheço que usam aparelho aumenta de ano para ano. E mais! COM OS DENTES TOTALMENTE DIREITOS! "Ah e tal... O dentista diz que tenho uns aqui atrás que puxam os outros para a frente e vão ficar todos tortos no futuro" - parece que a nossa dentição é o público de um concerto de hardcore em que começam a fazer moches uns aos outros!... a sério?

Percebo que tenham de se criar necessidades para a economia dentária continuar a existir, já que se aboliu a bela da placa, mas por favor...vamos lá deixar de vender aparelhos transparentes "...por que não se notam..." quando na realidade parece que se está constantemente com a boca cheia de arroz doce e deixar que trintonas solteiras tenham os seus dates descansadas sem terem de passar pelo vexame de sorrir depois de comer pasta de azeitona preta ao pé do trintão que até lhes enchia as medidas...

Moral da estória:
Façam antes um branqueamento à la Paulo Portas.

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Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


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I Saw Jesus in a Toast

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