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®Teresa Serrano

Antes da existência de um Pingo Doce ou Minipreço a cada esquina, quem não se lembra de ir comprar 100 gramas de fiambre para pôr numas sandes de papo-seco na mercearia do bairro?
Eu lembro-me perfeitamente. E mais! Lembro-me sempre do cheiro bom a charcutaria variada e da manicure pouco cuidada da Tininha que me apontava o naco Nobre forno de lenha ou o Sicasal habitual para eu escolher. A espessura das fatias foi também uma arte que afinei com o tempo - "quanto mais finas, melhor!" - já dizia a Tininha. Quando nos tornávamos clientes do costume, tinhamos direitos a exigências pessoais que só se conseguiam com uma ida diária ao estabelecimento. E a Tininha, com as suas argolas rosa shock (acabadinhas de sair do pacote de batatas fritas da Matutano) lá nos fazia a conta na calculadora com rolo - das que fazia barulho ao registar - e entre a azeitona que ia petiscando para matar o bicho, dava-nos o troco em pastilhas da Super Gorila e ainda nos avisava - Olha que vou dizer à tua mãe que levaste o troco em pastilhas para não haver cá confusões para o meu lado!

A Tininha era a típica wannabe Madonna que fez o 12º ano à noite e que gostava de ir para as boates com o seu outfit de renda preta integral. Entretanto, aos 17, conheceu o Cajó (de quem teve uma filha - a Cátia), mas só contou aos pais quando a gravidez já estava perto dos sete meses de gestação (a moda de usar leggings com camisolas XXL ajudou bastante). Uma rebelde sem causa (digo eu!), que ainda se faz notar pela madeixa verde que lhe permanece na franja aos 45.

 

Moral da Estória:
Gelinho é a mais avançada técnica para não deixar as Tininhas na mão.

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®Teresa Serrano

Quem nunca teve um telefonema daqueles que só dá vontade de dizer "-Não estou a ouvir bem vou ter de desligar" dos pais?
Daqueles do "-Óh filha, apareceu-me uma janela que diz que o Facebook vai vender os meus direitos (e rins) no mercado negro e não tenho botãozinho a dizer Cancelar nem de fechar a janela. O que faço? (Tudo isto enquanto tu estás na fila do Pingo Doce a despejar as tuas compras no tapete rolante - entre o alho francês e a caixa de pastilhas que entretanto caíu para o chão). E respondes:" -Não sei mãe, procura no google..." Resposta do outro lado: "Mas eu não consigo sair daqui, agora apareceu-me um diabinho a dizer que fui infetada com um virús." Continuas a não conseguir ajudar, mas mesmo assim o relato continua durante o teu caminho todo para casa (entre os sacos de compras e telemóvel encaixado entre o ombro e a orelha). Até que depois de muitos "- não faço a mínima ideia como ajudar" te diz: "-Vou pedir ao vizinho do primeiro andar para vir cá ver, já que tu NUNCA me consegues ajudar!" - o geek que joga playstation desde os cinco meses de idade e cheira a moderboard de computador. "- Ótima ideia!" e consegues finalmente chegar a casa, pousar os sacos e sentares-te cinco minutos no sofá até o telefone de casa tocar...atendes: "-Filha, o vizinho disse-me que me consegues ajudar se instalar o Skype. Como é que faço isso?".


Moral da estória:
Até o Steve Jobs estaria incontactável perante telefonemas destes.

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® Teresa Serrano

 

Não há nada mais entediante do que estar a falar com um Entendido em Música Indie, tanto mais quando - de bandas indie - não percebes um chavelho. A conversa (ou monólogo) entra no auge quando ele (o Entendido) se apercebe que estás mais perdido que o Bambi à procura da mãe e é aí que ele começa a sacar dos nomes esquisitos.

- Mas tu não conheces os Risens&Frozens??? Como é que é possível?!? - diz o Entendido - Nem os Frolic&Craizens? E Dude Frikens??? Nunca viste Drilens ao vivo? Nem Strepsils no Coliseu?

Tu respondes:

- Não. O meu ídolo da pré-adolescência era o Jon Bon Jovi e até gosto de bandas mainstream para falar verdade...

Aqui o Indie Entendido começa a ficar branco e calado, enquanto enrola um cigarro e segura a mortalha entre os lábios e te olha nos olhos. Quando finalmente acende o cigarro, inala um gigante gole de fumo e diz dramaticamente:

-Mainstream não faz parte do meu vocabulário, o Jon Bon Jovi devia ter sido comido pelo Pacman porque é uma blasfémia ao verdadeiro sentido da música, portanto, acho que não temos mais nada a falar. Vou-me embora porque tenho de ir ali ao alfarrabista comprar a primeira edição do Blitz (versão jornal, está claro!) e voltamos a falar quando souberes quem era o Ian Curtis, ok?

 

Moral da estória:
Nunca mencionar que a Baby Spice era a tua preferida.

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®Teresa Serrano

 

Entras numa loja de roupa porque tens de comprar o vestido para o casamento da tua prima afastada e vais direta para o canto mais vazio para poderes estar à vontade a ver as peças sem estares com a Jennifer Lopez a gritar-te aos ouvidos. No entanto, em cinco segundos deixas de estar sozinha nesse canto e estás rodeada de - pelo menos - cinco amiguinhas que (curiosamente) também estão a tentar abarbatar-se ao vestido que tens na mão.

Tens duas hipóteses:

Ou entras no confronto direto e agarras-te ao vestido com unhas e dentes e corres para o provador (o estabelecimento agradece porque tem de reforçar o stock);

Ou fazes-te desinteressada e vais para o outro lado da loja, sempre com as amiguinhas avistadas pelo canto do olho e quando elas dispersarem, voltas ao local do crime e podes finalmente apreciá-lo (mas sem mostrar muito interesse, senão haverá sempre uma delas que volta à carga).

E assim se fazem tendências no universo feminino...

 

Moral da estória:
A galinha da vizinha parece sempre uma Chanel.

 

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® Teresa Serrano

 

Estás na paragem há já uns bons dez minutos a olhar para ecrã que te informa dos dois minutos que ainda vais ter de esperar. Começa a chuviscar e estás mesmo na junção dos dois abrigos existentes. A mãe obesa decide amamentar a cria no banco atrás de ti, ao teu lado o Cajó que fala sozinho e acaba uma mini enquanto o autocarro não vem e do outro aparecem as velhinhas…muito queridas a falarem da matiné nos alunos de Apolo onde foi a Dona Custódia que "...-ainda está boa para essas andanças". O seu andar à pinguim não deixa antever a corrida que são capazes de fazer para serem as primeirinhas a entrar no transporte coletivo que se aproxima. E se por algum motivo alguém se lembra de dizer:"-Hey! A fila é lá atrás!", ficam habilitados a levar com uma sombrinha na cabeça e a voz doce com que falavam ainda à pouco sobre a Dona Custódia transforma-se num praguejo que vai de "raios-que-ta-partam" para cima.

 
Moral da estória:

A tartaruga sempre venceu a lebre.

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É aquela rapariga que até nem é gorda mas que se vê perfeitamente que passa as-passas-do-algarve para o conseguir, no entanto, em conversa está sempre a afirmar convicta e insistentemente que não é nada gulosa“-Não é da minha natureza, sou muito mais de frutas e legumes” - diz ela.
Até que há um dia em que abres um pacote de bolachas em frente à Não-Gulosa e vês as pupilas a dilatar…o barulho de mastigar as tiras de cenoura que traz sempre como snack, pára…e a pergunta é feita:
- O que é que estás a comer? - diz a Não-Gulosa.
- Bolachas de chocolate com creme de caramelo - dizes tu.
Trinta segundos de silêncio e ela consegue finalmente pedir-te uma…
- É que estão com ótimo aspeto, não consigo resistir...- afirma a Não-Gulosa.
Voltas a oferecer uns instantes mais tarde e ela não resiste a ajudar-te a acabar o pacote.

Moral da Estória
Não duvides dos resultados das análises em que o valor dos triglicéridos está elevado.

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 O I Saw Jesus in a Toast lançou uma nova ilustração para a sua coleção. Se quiserem uma destas impressões podem tê-la apartir da loja online. Existem diversos suportes: t-shirts, canecas, postais, com moldura, sem moldura...passem por lá.

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Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


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I Saw Jesus in a Toast

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